terça-feira, 31 de maio de 2016

Coisas de Cecília - vovozinha



Essa noite, estava eu secando a Cecília após o banho, quando digo que minhas costas doeram por erguê-la na tampa do sanitário, e uso a expressão de que estou ficando vovozinha...
e ela ri e diz:
-Claro que não, né?
-Você não acredita, filha? Olha só o cabelo da mãe, está ficando branco.
Ela sorri um sorriso amareladinho, e diz com um beicinho de choro:
-Não quero que você vire vovozinha.
-Por que não?
-Eu gosto de você assim, não de você vovozinha!

Ai... morri!

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Raízes

  Para quem ainda não sabe muito sobre mim, eu fui criada no interior, mas não só no interior do estado, fui criada no interior de uma cidadezinha de interior... E lá, aprendi a cultivar, aprendi a jogar a semente na terra e esperar crescer, até poder comer o fruto... aprendi a prender os terneirinhos no final do dia, para na manhã seguinte ter o leite do café da manhã, aprendi a fazer fogo no fogão, para cozinhar o almoço, e a janta, aprendi também a amar histórias do passado, principalmente as que minha avó contava, quando olhávamos as fotografias antigas, conheci várias gerações passadas, só com as fotografias que a vó tinha guardadas em casa. Adorava as tardes que eu redescobria a vitrola, e pedia para a vó fazer funcionar, e lá nós duas nos divertíamos ouvindo uma música com mais ruído que música, e dançávamos na sala... outras 2 coisas que me lembro muito bem e me deixava muito feliz, quando o vô chegava da lida, e pedia pipoca, ou batia uma gemada para comer com pão.... ah, eu amava, lembro até do barulho que o garfo fazia quando batia na tigelinha de gemada.
  Mas o que quero com tudo isso? Com essa lembrança do passado? Quero voltar um pouco nas minhas raízes...adoro a terra e a vida simples. Adoro o barulho de interior, o berro das ovelhas, o cantar dos pássaros, o cacarejo das galinhas, e ate hoje, quando ouço o galo cantar, repito a frase da vó: -"vou passar a vassoura na cozinha que vai chegar visita!"
  Então,chegou nossa vez, Roger e eu compramos nosso cantinho, agora moro de encontro com minhas raízes, longe do meu pago, mas perto da terra... E quando ando perdida nos meus pensamentos, precisando me reorganizar, gosto de um dia de sol, e de fuçar na terra, observar o que a natureza me oferece e o que eu posso cultivar...Estar de encontro com a terra, me deixa tranquila, me trás a serenidade do tempo de infância.
  Eu tive uma linda infância, e queria muito ensinar isso para as minhas filhas, que a vida simples é mais bonita que a vida cheia de tantas coisas que nem se sabe ao certo o que se tem, Que um abraço em um amigo peludinho de verdade, trás mais alegrias e conforto que comprar um novo urso de pelúcia toda semana, que poder colher os ovos no galinheiro e depois fritá-los, é tão divertido quanto ir no bar da esquina comprar balas, que ter que esperar as sementes germinarem e crescerem, para depois colher a cenoura, torna a cenoura muito mais gostosa...Não espero que elas amem essa vida, assim como eu, mas espero que essa infância, ensine para elas que há beleza no simples.
  Por favor, não entendam esse texto, como a forma correta de levar a vida, não estou dizendo que todo mundo deve fazer assim, e nem que a  vida deve ser assim. Só quero contar que esse é o meu jeito de levar a vida, a minha forma de passar valores para minhas filhas! Cada um sabe o que importa de verdade, na sua vida! :-*


  Quero dividir algumas fotos que fiz, de algumas coisas dessa casa, que me encantam, que me acalmam, que me trazem de encontro comigo mesma...









































Algumas fotos já tem bastante tempo... 

Um beijo do fundo do coração.